
O julgamento de Tiago da Rosa Marcos, de 39 anos, acusado de ser o mandante do assassinato de seu sogro, o produtor rural Paulo Sérgio de Freitas Miranda, foi remarcado para o dia 20 de janeiro de 2027, no Tribunal do Júri de Naviraí.
A data original (3 de novembro de 2026) foi alterada porque a defesa de Tiago perdeu o prazo legal de três dias úteis para a juntada de novos documentos e vídeos, mas ainda assim insistiu em utilizá-los no dia do júri. Diante do impasse, o juiz optou por adiar a sessão.
Ao analisar o caso, o magistrado decidiu manter a prisão preventiva de Tiago, ressaltando que não há fatos novos que autorizem a sua revogação. A legalidade dessa prisão já foi confirmada sucessivas vezes pelo Tribunal de Justiça de MS (TJMS), pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) e pelo Supremo Tribunal Federal (STF).
A Dinâmica do Homicídio
O crime ocorreu às 14 horas do dia 23 de setembro de 2021, na fazenda de Paulo Sérgio, em Naviraí (MS).
Dois atiradores chegaram ao local e dispararam diversas vezes contra o produtor rural na entrada e no interior de um galpão de máquinas agrícolas.
Paulo Sérgio foi socorrido e transferido para um hospital em Dourados, mas faleceu três dias depois devido à gravidade dos ferimentos. Durante o resgate, a própria vítima indicou o genro como o provável autor intelectual do crime.
A filha mais velha do produtor e esposa de Tiago, a advogada Dayane Claudino Miranda Marcos, de 34 anos, também foi apontada pelas investigações como mandante. Ela responde ao processo em liberdade enquanto a Justiça avalia o desdobramento de seu caso.
A polícia concluiu que o assassinato foi encomendado (descartando a hipótese inicial de latrocínio) e motivado por conflitos financeiros e familiares.
A vítima e o genro mantinham desavenças sobre a ocupação de um terreno em Guaíra e romperam relações após o produtor tomar conhecimento das acusações de abuso sexual infantil contra Tiago.
As investigações revelaram que o casal tinha a intenção de forçar a partilha dos bens em vida para vender partes das terras e mudar-se para o Paraguai.
A contratação dos atiradores paranaenses foi intermediada pelo primo de Tiago, Leandro Marcos Cambuí, pelo valor de R$ 20 mil para cada executor, além de R$ 5 mil para um motorista de fuga.
Para escapar da fazenda, os atiradores abandonaram o primeiro veículo na estrada do assentamento Juncal, abordaram motoristas na região e mantiveram um deles refém para chegar à área urbana de Naviraí. Em seguida, embarcaram em um segundo carro para fugir da cidade.
A Polícia Civil desarticulou o grupo por meio da "Operação Indignus Heres", cumprindo mandados contra seis pessoas envolvidas, em ação conjunta nas cidades de Naviraí, Eldorado, Mundo Novo e Palotina (PR).
Um dos executores diretos morreu em novembro de 2021 durante um confronto com a Polícia Militar, enquanto tentava cruzar a fronteira para o Paraguai em uma caminhonete roubada.
Os demais integrantes, incluindo a filha da vítima (Dayane) e o primo de Tiago (Leandro), seguem à disposição da 1ª Vara Criminal de Naviraí.
Histórico Criminal e Novas Constatações
Tiago da Rosa Marcos já foi condenado pela Justiça de Guaíra (PR) por estuprar a sua cunhada, Nathaliê, por três vezes quando a vítima tinha apenas 12 anos.
A Promotoria de Justiça que atua no caso do homicídio concluiu, durante as apurações, que Tiago também tentou matar Nathaliê com o intuito de encobrir os referidos estupros.





