Inconformado com o descaso e a lentidão dos fiscais da Receita Federal, no posto de fiscalização da fronteira, entre Mundo Novo e Salto Del Guairá, o empresário de Campo Grande Celso Braz de Oliveira Santos, de 65 anos, resolveu comunicar a situação ao Ministério da Fazenda.
Há pelo menos 50 dias ele está com as mercadorias retidas no Paraguai, onde tem uma fábrica de mantas e cobertores. A carga tem como destino o Brasil, onde é vendida, mas Celso não consegue passar com a o material devido à greve dos servidores federais.
Em busca de reajuste salarial e melhores condições, eles resolveram diminuir o ritmo de trabalho, enquanto aguardam negociação com o Governo Federal. O problema é que a reivindicação tem prejudicado os contribuintes que precisam utilizar os serviços da aduana brasileira nos postos de fiscalização.
No e-mail encaminhado à Receita Federal, Celso Pede que a mensagem - datada do último dia 26 - chegue ao Ministro da Fazenda, Guido Mantega, e descreve o que tem enfrentado, classificando a situação como “precária”.
Segundo o empresário, as filas diárias se tornaram frequentes e são “monstruosas”, chegando algumas vezes a ter mais de três quilômetros.
Embora considere a greve um direito de todo o trabalhador, o empresário afirma que permanecer parado, “fazendo operação tartaruga”, nada mais é do que um disfarce.
“Isto sem falar dos motoristas brasileiros que vão buscar carga no Paraguai e demoram até 48 dias para saírem dos pátios da Receita com seus caminhões, sob o pretexto que suas cargas ou documentos estão sendo fiscalizados”, relata no documento.
Segundo o empresário, em períodos normais, o processo demora geralmente 5 dias. A lentidão gera prejuízo e pesa no bolso. O caminhão parado, em fase de importação, custa ao empresário de R$ 150,00 a 200,00 por dia, o valor da diária ao motorista.
Mas a dificuldade não fica só na conferência das mercadorias. O problema, relatou, se estende ao atendimento dispensado pelas chefias instaladas nos postos de fiscalização.